27 nov 2015

Abrasco questiona progresso e crescimento econômico a qualquer custo

Arquivado em Meio Ambiente, opinião, saúde

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NOTA ABRASCO: A Abrasco foi criada com o objetivo de atuar como mecanismo de apoio e articulação entre os centros de treinamento, ensino e pesquisa em Saúde Coletiva para fortalecimento mútuo das entidades associadas e para ampliação do diálogo com a comunidade técnico-científica e desta com os serviços de saúde, as organizações governamentais e não governamentais e a sociedade civil.

“A Abrasco, através de sua Direção e seus Grupos Temáticos (GTs) de Saúde e Ambiente e de Saúde do Trabalhador, se solidariza com todas as comunidades e trabalhadores atingidos, assim como todas as entidades e movimentos sociais e sindicais que, nesse momento, se mobilizam para compreender e enfrentar os terríveis efeitos da tragédia decorrente do rompimento da barragem de rejeitos de minérios da empresa Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP.

É preciso dar dignidade às mortes e destruições ocorridas por meio da memória coletiva dos que lutam por justiça: familiares, comunidades, movimentos e entidades parceiras e solidárias. Além dos mais de 20 mortos e desaparecidos, são inúmeras as comunidades, territórios, atividades econômicas e cursos d´água atingidos, devastados e contaminados, indo desde Bento Ribeiro, distrito de Mariana, em Minas Gerais, até centenas de quilômetros de distância no Espírito Santo. Foram mais de 200 municípios atingidos ao longo do Rio Doce, com a morte de várias espécies de peixes e outros animais, incluindo espécies típicas da bacia do Rio Doce que podem ser extintas. A devastação afetou agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas e até mesmo o povo indígena Krenak, cuja cultura e a subsistência dependem do Rio Doce.

Os efeitos da tragédia se prolongarão por décadas, e não há como reverter as perdas de vidas humanas e dos ecossistemas destruídos. A maior ou menor gravidade do que virá, assim como a repetição de novos desastres, dependerá de como a sociedade brasileira compreenderá e se mobilizará para transformar os processos que determinaram sua ocorrência.

A tragédia atual é uma repetição agravada de várias outras que vêm acontecendo nos últimos anos. Portanto, uma tragédia anunciada e que se relaciona diretamente com fundamentos centrais da saúde coletiva e do movimento pela reforma sanitária no Brasil: a determinação social da saúde, o enfrentamento das desigualdades sociais, espaciais e ambientais, e a luta por democracia.

O Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro, e a Vale é a maior empresa mundial neste ramo, além de grande financiadora de partidos e políticos que, eleitos, atuam como legisladores e gestores. Este fato alimenta a postura absurda de várias “autoridades” eleitas ao relativizarem as responsabilidades de empresas que os apoiaram financeiramente.

O crescimento da megamineração se viabilizou no país com inúmeros problemas e falhas. Como revelam diversos artigos e notas produzidos recentemente após o desastre , problemas ocorreram em diversas fases e setores, desde a gestão, licenciamento, fiscalização, monitoramento, até a vigilância e o sistema de emergência. Empresas, com tecnologias e formas de gestão inseguras e perigosas, se espraiam na busca pelo lucro rápido da megaprodução, fato agravado por conjunturas de quedas nos preços do volátil mercado de commodities. Essa é uma das armadilhas de nosso modelo de desenvolvimento atual.

Neste momento é preciso que o setor saúde e suas instituições façam parte do enorme esforço de analisar os efeitos da tragédia, monitorando a contaminação, a qualidade da água e seus efeitos na saúde no curto, médio e longo prazo das populações atingidas e expostas. Mais importante ainda: é fundamental que a saúde coletiva se some às mobilizações sociais e processos que resgatem a dignidade de trabalhadores, comunidades e gerações futuras em defesa dos direitos constitucionais ao meio ambiente equilibrado, à saúde e à participação. É absolutamente estratégico avançar em mudanças estruturais do modelo de sociedade e desenvolvimento, da gestão ambiental, da vigilância e promoção da saúde.

Aprenderemos com a tragédia de Mariana se medidas exemplares de transformação forem criadas. Por exemplo, responsabilizar econômica e criminalmente empresas e gestores omissos; fortalecer instituições dos setores ambiental, da saúde e do trabalho atualmente vulnerabilizadas em seus papéis de cuidar dos direitos fundamentais ao meio ambiente equilibrado, ao trabalho digno e à saúde; construir planos de reparação e recuperação democráticos e eficientes, com a participação do Ministério Público, da Defensoria Pública e das comunidades atingidas.

A Abrasco está mobilizada no acompanhamento permanente das comunidades e trabalhadores atingidos através de vários de seus GTs, e participará ativamente dos desdobramentos desse episódio. Por fim, é preciso questionar a ideia de progresso e crescimento econômico a qualquer custo. A megamineração do mercado global de commodities faz parte desse modelo de desenvolvimento. Outros países soberanamente, como a Costa Rica, já abriram mão dessa forma de exploração humana e da natureza.

A Abrasco se propõe a continuar atuando no fortalecimento de alianças, diálogos e convergências que valorizem uma ciência engajada e de qualidade junto com as vozes dos territórios e populações atingidas, dos movimentos sociais, sindicais e por justiça ambiental. Além das denúncias, precisamos avançar nos anúncios de que outros futuros são possíveis e já estão sendo construídos no presente, através de inúmeras lutas e experiências. Elas revelam, em diferentes níveis – cotidiano, local e global – as sementes de novas práticas sociais, institucionais, acadêmicas e econômicas mais sustentáveis, solidárias, justas e saudáveis.”

25 nov 2015

Liga da Justiça soma forças com os voluntários da tragédia de Mariana

Arquivado em Direito Animal
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Reprodução/Facebook

Os heróis do Projeto Social Liga da Justiça, formado por policiais militares e por profissionais liberais, estiveram no galpão que abriga os animais resgatados na região atingida pelo rompimento da barragem, em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana, cidade histórica de Minas Gerais. O local conta com várias baias para equinos, caninos, felinos e aves, além de um pequeno hospital veterinário improvisado pelo projeto Veterinários Na Estrada (grupo de voluntários que percorre cidades do Brasil onde há carência de atendimento veterinário).

A iniciativa faz parte das várias ações voltadas às vítimas da tragédia. Os policiais, vestidos de heróis, participaram como voluntários. Eles doaram ração, ajudaram na limpeza do local, auxiliaram na alimentação dos animais, levaram os cães para passear e não esqueceram de demonstrar muito carinho para todos que sofreram diretamente ou indiretamente com o rompimento da barragem.

Segundo o sargento Daniel Xavier, fundador e líder do grupo, os passeios com os animais traumatizados são essenciais para reduzir o nível de estresse dos bichos. “Os animais estão extremamente estressados. Nota-se que eles estão muito assustados com o acontecimento. Durante nossa presença no abrigo, vivenciamos alguns momentos de muita emoção ao ver os donos de alguns cães reencontrando seus animais de estimação. Como muitas pessoas ainda estão hospedadas em hotéis, já que perderam tudo, muitos animais não têm previsão de voltar para casa”.

O sargento Daniel faz um apelo para que as doações continuem. “Quem puder doar ração, material veterinário ou até mesmo atuar como voluntário, o abrigo fica localizado na MG-129, Km 3, próximo a Porteira de Minas, sentido Mariana/Mineradoras. Para mais detalhes e informações como ajudar, entrar em contato com a brigadista Fernanda Falci. Ela está à disposição para qualquer dúvida:(31) 99732-7579. Quem optar por doar em Belo Horizonte, os produtos podem ser encaminhados à Cruz Vermelha, localizada na Alameda Ezequiel Dias, 427 – Santa Efigênia. Telefone:(31) 3239-4200. Desde o rompimento da barragem, temos mobilizado nossas doações para Mariana, através da Cruz Vermelha e do Servas. No entanto não esquecemos dos animais, tão vítimas dessa tragédia quanto as próprias pessoas que tiveram suas vidas impactadas”.

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19 nov 2015

Pesquisa propõe aproveitamento da lama de rejeitos da mineração

Arquivado em Meio Ambiente, saúde

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Por Danielle Campez/UFOP

O Grupo de Pesquisas RECICLOS-CNPq da Ufop vem desenvolvendo nos últimos anos, diversos trabalhos relacionados aos rejeitos da mineração e a utilização da lama. Essas pesquisas apontam para alternativas que poderiam contribuir para a minimização dos impactos ambientais bem como redução dos riscos potenciais das barragens de rejeitos de minério de ferro.

Segundo o coordenador do projeto, Prof. Ricardo Fiorotti, trata-se basicamente de “soprar” a lama e separar os materiais nela existentes – tanto o material bruto quanto o material processado. Esse processo permite a incorporação de até 80% da lama no lugar de areia na produção de materiais para a construção civil. Os novos produtos são eficientes também do ponto de vista da utilização. O projeto já produziu concreto, argamassa, tijolos e bloco de pavimentação (foto). “Todas essas produções são idênticas ao convencional. A única diferença está na cor, que é avermelhada”, explica o professor.

Com essas pesquisas, a equipe vê uma forma de contribuir com a minimização dos impactos das barragens de rejeitos da mineração e se coloca à disposição para oferecer o serviço de forma gratuita. A ideia é encontrar uma oportunidade de transformar a lama em uma atividade econômica. “Nós não queremos nenhum financiamento. A intenção é beneficiar a sociedade, propondo soluções. Muito é possível se fazer com esses rejeitos”, explica Fiorotti.

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