09 mar 2021

A desobediência civil e o coronavírus

Arquivado em Comportamento, opinião, saúde

Por: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

O endurecimento da quarentena, decorrente da elevação do número de infectados, lotação dos hospitais e da nova cepa – mais agressiva – do coronavírus, tromba na desobediência civil. Grupos, que vão desde a alta sociedade até aos cooptados pelos esquemas criminosos, insistem em continuar se reunindo em festas ou eventos esportivos e musicais que potencializam a pandemia e relativizam a ordem oficial. Em São Paulo, noticiou-se um evento que, depois de decretada a fase vermelha, reuniu 175 pessoas no centro da cidade, outros 15 locais foram autuados por aglomeração e, além disso, quem ouviu as emissoras de rádio na madrugada ficou sabendo de denúncias dos ouvintes sobre reuniões, bailes e pancadões em diferentes pontos, tanto da capital quanto da região metropolitana e até do interior.

O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro e em outras unidades da federação. Parece que uma significativa parcela da população ainda não se conscientizou do risco cada dia maior. Como todos os vírus, o novo corona fortalece e se torna mais letal a cada reinfecção; se não for contido, será cada dia mais perigoso e ter até o viés de levar à eliminação a espécie atacada. Na recém-identificada variante brasileira, a Covid-19 – que antes era mais perigosa a idosos e portadores de comorbidades – está levando a óbito os jovens e até as crianças.

Os governos estaduais – como titulares da Segurança Pública – precisam ter uma postura mais firme. Da mesma forma que agem com mão de ferro para obrigar prefeitos discordantes a manter em suas cidades as quarentenas, lockdowns e outras restrições, devem atuar quando a desobediência parte de extratos da sociedade. Se assim não agirem, no mínimo, perderão o respeito, o que será muito ruim. Grupos sociais (oficiais ou oficiosos), torcidas organizadas e assemelhadas e cidadãos em geral têm de ser responsabilizados civil e penalmente por suas transgressões, principalmente quando se aglomeram para divertimento. Sua diversão pode levar à morte e, por isso, tem de se contida.

Os governos e seus prepostos têm a obrigação de conter os recalcitrantes com o mesmo rigor que já vimos atuar em relação a comerciantes que foram impedidos de trabalhar, não tiveram o direito ao contraditório e, na insistência, chegaram a ser abordados coercitivamente. Não defendemos o emprego da força, que sempre deve ser o último recurso. Mas é preciso convencer a população de que o recolhimento e cuidados profiláticos são necessários para evitar o alongamento da pandemia, o sofrimento e as mortes por ela causadas.

E, além das medidas restritivas, todos os níveis de governo – federal, estadual e municipal – têm o dever de agir para ofertar as vagas hospitalares e o atendimento ambulatorial adequados ao enfrentamento do mal e fazer todo o esforço possível para adiantar a vacinação do povo, já que a vacina é tida como a única solução. Que venham todas as vacinas, pouco importando de que pais venham desde que testadas e aprovadas por órgãos próprios. Os empresários também devem ser autorizados a adquirir as doses, mesmo que obrigados a respeitar os grupos prioritários de aplicação. Sem vencer a pandemia, o país não voltará à normalidade e todos nós continuaremos sofrendo os diferentes impactos, desde o desconforto das quarentenas, a retração econômica (que provoca a fome dos vulneráveis) até a dor da perda de familiares e amigos.

30 maio 2020

Você sabe os prejuízos da Infodemia na saúde?

Arquivado em Comportamento

Informações falsas e excesso de informações proliferam como vírus em tempo de pandemia (covid-19), provocando agitação social, desconfiança, pânico, ações governamentais desastrosas e até a morte. Nas sociedades, cada vez mais digitais, os prejuízos ainda são maiores.

Profissionais da saúde do Brasil e de outros 16 países somaram esforços e produziram um documento online na Avaaz.org, uma rede para mobilização social global através da Internet, pedindo ações mais severas contra a circulação de informações falsas sobre o novo coronavírus na internet. Segundo o documento, as informações falsas sobre a covid-19 que circulam no Brasil, especificamente no Twitter, têm forte impacto nas decisões políticas.

O médico angiologista e cirurgião vascular, especialista pela SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular), Guilherme Jonas, alerta que a veiculação e compartilhamento de informações falsas na área da saúde, por meio de redes sociais, blogs, sites ou aplicativos de mensagens, podem trazer consequências sérias à saúde individual e coletiva. “A circulação de notícias sobre medicações, dietas milagrosas, alimentos que curam doenças graves e tratamentos alternativos para essas doenças faz com que as pessoas acabem abandonando tratamentos que são comprovadamente eficazes. E passam a experimentar outros, que não têm comprovações científicas”, diz o especialista.

O médico esclarece que é muito importante prestar atenção na credibilidade dos sites e dos bogs encontrados na internet e, na medida do possível, consultar sempre o site do Ministério da Saúde. Para enfrentar as Fake News sobre saúde, o Ministério disponibilizou um canal de comunicação, via WhatsApp para, com o objetivo de receber e apurar informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. O serviço é gratuito pelo número (61)99289-4640 “Curas milagrosas, mágicas, de baixo custo, terapias alternativas, promessas exageradas devem sempre ser avaliadas e questionadas com especialistas da área”, finaliza o Dr. Guilherme Jonas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que há um excesso de informações sobre a covid-19, algumas são precisas e confiáveis, outras não. A palavra infodemia se “refere a um grande aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar exponencialmente em pouco tempo devido a um evento específico, como a pandemia atual. Nessa situação, surgem rumores e desinformação, além da manipulação de informações com intenção duvidosa. Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra mais rapidamente, como um vírus” (PAHO)

Por que a infodemia pode agravar a pandemia?

*Dificulta o acesso às informações confiáveis e oficiais;
* Pode afetar a tomada de decisões políticas como a relação à saúde pública
*Gera pânico na população
*Pode provocar desconfiança ou apatia da população, prejudicando a adesão dos cuidados necessários no enfrentamento de qualquer doença altamente transmissível

Como podemos nos proteger de notícias falsas sobre saúde?

*Acessar informações disponibilizadas nos site oficiais de saúde (Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, sociedades científicas, sites acadêmicos)
*Ler a reportagem do início ao fim, ou seja, completa e não apenas o título.
*Conferir a data de publicação das postagens
*Observar o endereço do site, e quando citados nomes de profissionais médicos, deve-se verificar a existem dos nomes e registros nos conselhos médicos (CRM, CFM)
*Duvide sempre das notícias muito polêmicas ou estranhas demais. Consulte sempre outras fontes, especialmente as oficiais.
*Evite espalhar informações polêmicas.

08 jan 2016

Cartilha orienta a população sobre prevenção de infecções do vírus Zika

zika8Para orientar a população sobre as medidas de prevenção contra o vírus Zika de forma fácil e objetiva, o Ministério da Saúde elaborou a cartilha “VÍRUS ZIKA – INFORMAÇÕES AOS PÚBLICO”.

A diretora substituta do Departamento de Atenção Hospitalar e Urgência, Inez Gadelha, explica que o conteúdo foi elaborado para informar a população com mais facilidade. “A cartilha faz parte de um contexto maior de ações que o Ministério da Saúde e o Governo Federal estão tomando para o enfrentamento da infecção por esse vírus e da microcefalia. Como desenvolvemos protocolos para os profissionais de saúde, achamos que precisávamos desenvolver um material de distribuição geral que trouxesse um resumo de todas aquelas ações de forma simples para o entendimento de todos”.

A cartilha traz informações segmentadas, destinadas a diversos públicos: população em geral, mulheres em idade fértil, gestantes, recém-nascidos e recém-nascidos com microcefalia.

Alguns cuidados valem para todos os grupos. São eles:

• Utilizar telas em janelas e portas e uso contínuo de roupas compridas – calças e blusas.
• Nas áreas do corpo expostas, aplicar repelente.
• Ficar, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
• Observar o aparecimento de sinais e sintomas de infecção por vírus zika (manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados e febre).
• Buscar um serviço de saúde para atendimento, caso necessário.
• Para febre e dor, usar acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona.
• Não tomar qualquer outra medicação sem orientação médica.
O material ainda alerta sobre a importância de buscar os veículos oficiais para obter informações adequadas. “Sabemos que em um momento como esse, circulam muitas informações”, completa Inez. A diretora ressalta que estas ações são preventivas, mas não se deve descuidar da eliminação dos criadouros do mosquito aedes aegypti, transmissor da zika, dengue e chikungunya. “Não adianta apenas passar o repelente, o mais importante é não deixar o mosquito nascer”.

A cartilha está disponível de forma digital no site do Ministério da Saúde e, em breve, estará disponível na versão impressa em todo o Brasil.

Aedes aegypti – O ciclo de reprodução do mosquito, do ovo à forma adulta, pode levar de 5 a 10 dias. Por isso é preciso estar sempre atento. Um balde esquecido no quintal ou um pratinho de planta na varanda do apartamento, após uma chuva, podem facilmente se tornar um foco do mosquito e afetar toda a vizinhança. É importante verificar se a caixa d’água está vedada, a calha totalmente limpa, pneus sem água e em lugares cobertos, garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo, entre outras pequenas ações que podem evitar o nascimento do mosquito.
Os ovos do mosquito podem ficar aderidos às laterais internas e externas dos recipientes por até um ano sem água. Se durante este período os ovos entrarem em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça e, consequentemente a transmissão. Por isso, é necessário lavar os recipientes com água e sabão, utilizando uma bucha. Não importa se você mora em casa ou apartamento, o mosquito Aedes aegypti pode encontrar um recipiente com água parada para depositar os ovos e se reproduzir.

Saiba mais sobre o Sábado da Faxina, campanha lançada pelo Ministério da Saúde para a eliminação dos focos do mosquito.

CARTILHA

Fonte: Gabriela Rocha/ Blog da Saúde

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