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Médico alerta sobre o uso indiscriminado do WhatsApp nas consultas

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Reprodução/Google

O uso do WhatsApp para facilitar o fluxo de comunicação hospitalar e para a interação entre consultas médicas é uma realidade, embora esse não seja o aplicativo mais seguro e preparado para esse tipo de comunicação.

Com a suspensão temporária do serviço, alguns médicos questionam alguns prejuízos com relação a comunicação interna dentro do hospital para avisar, por exemplo, sobre a alteração de resultado em um laudo crítico de exame. E o acompanhamento de um paciente crônico que está em contato com o médico pelo WhatsApp? Tudo terá que ser feito manualmente? Afinal, em saúde, 48 horas pode decidir uma vida.

Conversei com o neurologista e fundador do Medicinia, Daniel Branco, que alerta sobre o uso excessivo do aplicativo nas consultas médicas.

O Medicinia é uma plataforma de comunicação em saúde que pode ser utilizada por médicos, instituições de saúde e demais profissionais da área médica. Atualmente, o Medicinia conta com mais de seis mil médicos cadastrados e está presente em dez importantes hospitais do país, além de instituições de saúde nos EUA e Alemanha. Nos hospitais, o aplicativo atua de forma a otimizar os gargalos de comunicação presentes nessas instituições, com o propósito de melhorar o desempenho operacional, reduzir custos e aumentar a receita. Mais informações www.medicinia.com.br

Adriana Santos: Qual a importância do WhatsApp para a comunicação entre médicos e pacientes da atualidade?

Daniel Branco: A comunicação online entre médicos e pacientes se tornou fundamental nos dias de hoje. Antigamente, quando os médicos visitavam seus pacientes em casa, os vínculos das famílias com os médicos era muito mais forte. Com o tempo, a tecnologia e a evolução da medicina foram distanciando os pacientes de seus médicos. A medicina se tornou uma prática exclusiva de consultórios e interações médico-pacientes pontuais. Com a comunicação online, médicos estão voltando a conseguir fazer um acompanhamento continuado de seus pacientes, o que é maravilhoso.

Adriana Santos: Podemos comparar o WhatsApp com o antigo bina?

Daniel Branco: O bina permitia saber quem estava ligando. O Whatsapp de certa forma também. Mas o Whatsapp e outras ferramentas de mensagens de texto revolucionaram a forma de comunicação na nossa sociedade. O problema é que nem tudo pode ou deve ser resolvido através do Whatsapp. Para a relação médico-paciente, por exemplo, o Medicinia é uma ferramenta muito mais apropriada, que garante a privacidade do médico e do paciente, além de oferecer uma série de funcionalidades que permitem um melhor acompanhamento dos pacientes.

Adriana Santos: Qual a maior preocupação dos médicos com relação à decisão judicial de bloquear o WhatsApp?

Daniel Branco: Os médicos jamais deveriam estar utilizando o Whatsapp, que é uma rede social, para interagir com seus pacientes. A maior preocupação do médico deve ser não utilizar o Whatsapp e buscar soluções profissionais para esse tipo de comunicação.

Adriana Santos: Como os médicos pretendem contornar a situação?

Daniel Branco: É provável que o Whatsapp retorne e tudo volte à normalidade. Mas o alerta permanece: o Whatsapp não é um meio adequado para comunicação entre médicos e pacientes. Acho que esse episódio só serviu para deixar isso ainda mais claro.

Adriana Santos: Considerações finais

Daniel Branco: Até então, os médicos estavam utilizando o WhatsApp para se comunicarem com os pacientes ou mesmo trocarem ideias com os colegas sobre casos específicos. O uso desse tipo de aplicativo de mensagem não é seguro e os termos de privacidade não foram feitos para uso com pacientes. No próprio termo de uso do aplicativo, o usuário concorda que as informações poderão ser usadas pelo Facebook, dono do Whatsapp. Além disso, em função do seu caráter social, um paciente pode facilmente encaminhar as mensagens dos médicos para outras pessoas, quebrando o sigilo que existe na relação médico-paciente. Isso acaba aumentando o risco de expor as informações clínicas dos pacientes, que devem ser sigilosas.